Uma Nota: Ler e compreender está muito difícil?
Recentes pesquisas nacionais e internacionais, como do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA), revelam o baixíssimo nível de compreensão, interpretação e reflexão dos alunos do Ensino Fundamental e Médio. Nos exames de acesso à universidade a situação não é muito diferente.
A incapacidade de leitura para além dos códigos lingüísticos dos alunos, sejam eles de escolas públicas ou privadas, tem sido objeto de reflexão dos educadores brasileiros para identificar as causas e encontrar caminhos para alteração desta realidade. Não são poucos os especialistas que apontam as fragilidades do sistema educacional do país, tais como: superficialidade, excesso de conteúdo e pouco cuidado com a linguagem.
O baixo índice de leitura no país, associado à inexistência de bibliotecas públicas em “21,3% dos 5.559 municípios brasileiros” (Bertoletti, 2004, p. 86), atesta a falta de investimento das autoridades para tornar disponível o acesso ao livro no país. Projetos recentes do governo federal, como o: “Fome do Livro”, que pretendem modificar esta realidade, ampliando o acesso e a distribuição do livro no país, ainda têm um longo percurso pela frente, razão pela qual o papel da escola é ainda fundamental na formação de leitores.
A recente pesquisa Retrato da Leitura do Brasil, realizada por Câmara Brasileira do Livro (CBL), Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Associação Brasileira de Editores de Livros (ABRELIVROS) e Associação Brasileira de Celulose e Papel (BRACELPA), traz um perfil preocupante do leitor brasileiro. Com um universo de 5.503 entrevistas de 40 cidades brasileiras, representando uma população estimada em 86 milhões de pessoas (correspondente a cerca de 40% da população do Brasil), os resultados revelam que 61% dos brasileiros adultos alfabetizados têm pouco ou nenhum contato com os livros. Além disso, de acordo com os dados divulgados pela revista Carta Capital (9/11/2005, p. 22), na Região Sudeste “apenas 7% dos estudantes alcançaram níveis ‘adequados’ de leitura”.
A palavra mídia é uma palavrinha bonita, simpática. Ela, em sua origem grega, não diz quase nada. Mídia são os meios: meios de comunicação. Pronto, acabou. Eles servem para comunicar, o que seria bom, se fosse verdade. Na realidade, a palavrinha simpática esconde que estes meios são de comunicação, sim, mas são direcionadíssimos. Não existe uma mídia que seja puramente mídia, pois ela é o meio para disputar a hegemonia. Para garantir a hegemonia atual ou se contrapor a esta. A mídia tem dono, tem classe e interesses de classe a defender. Estes interesses não são os do povo, obviamente.
A expansão nas últimas décadas de uma nova mídia de alcance global - jornais, rádios, revistas, televisão e, principalmente, a internet - teve uma grande importância para a vida política dos países democráticos e para as relações internacionais. A mídia, ou os meios de comunicação em geral, influencia as eleições e até mesmo os rumos dos governos. Ela quase obriga os políticos a se ocuparem deste ou daquele assunto, inclusive os conflitos militares.
Ao abordar hoje a corrupção, amanhã o aborto, depois o assédio sexual, algum genocídio na África, alguma crise na Europa oriental, etc., a mídia acelera e direciona a vida política, forçando os governos - especialmente nos países desenvolvidos, onde há maior temor e respeito à opinião pública - a tomar decisões rápidas e sobre assuntos cada vez mais complexos.
Na política interna a influência dos meios de comunicação é essencial. Sem o uso da mídia, atualmente, não há outros meios de alcançar e exercer o poder, a não ser em algumas comunidades bem pequenas e onde todos se conhecem. A vitória na eleição, muitas vezes, vem de sua estratégia televisiva: a preocupação com a imagem e não apenas com o discurso.
Desde então há especialistas em imagem que procuram pesquisar o que a população quer ouvir (e o candidato deve dizer exatamente isso), como um político deve se vestir, se comportar, falar, etc. Em vez da ideologia (ser de esquerda ou de direita, por exemplo), o mais importante hoje é a imagem midiática (ou seja, da mídia), a aparência.
Isso tudo foi ampliado pelo desenvolvimento da informática, que possibilitou a tabulação mais rápida das pesquisas de opinião dos eleitores. Essas pesquisas passaram a nortear a estratégia e a mensagem dos políticos, que agora contratam os formadores de imagens e os profissionais da propaganda política.
Mas isso não significa, como pensam alguns, que a mídia faz o que bem entende, impondo suas opções à opinião pública, que seria apenas uma receptora passiva de mensagens midiáticas. Essa visão simplista é incorreta por vários motivos. Em primeiro lugar, as mídias são extremamente diversas, concorrentes e, com freqüência, têm pontos de vista diferentes. Alguns meios de comunicação podem ser a favor de um governo, de determinado partido político, mas sempre existirão vários outros com posição contrária. Em segundo lugar, a opinião pública, pelo menos boa parte dela (notadamente a população mais esclarecida e escolarizada), não é passiva nem aceita tranquilamente qualquer mensagem da mídia. Em terceiro lugar, a enorme influência da mídia não impede a existência de outras formas de transmissão de informações ou de atividade política.
Todavia, é bom deixar claro que a mídia também desempenha um papel positivo, o de divulgar informações, de realizar denúncias (principalmente aquelas verídicas e importantes), e isso é de enorme valia para qualquer sociedade democrática.
Depoimento - Jorge Sabongi
Antigamente, quando assistia aos programas de televisão, acreditava em 100% de tudo o que via. Tudo parecia tão mágico: pessoas bonitas, roupas sempre limpas e novas, cores deslumbrantes, movimentos perfeitos, cenas de sonhos, sem imperfeições. Os artistas tinham uma aura de semideuses.
Na verdade, tudo o que vemos é preparado!
As pessoas são todas maquiadas antes de entrar em cena. O figurino é escolhido, visando combinar cores e ambientes. As cenas são repetidas diversas vezes e, por fim, editadas, montando cada movimento, de forma a parecer sem falhas. As cenas são de um mundo irreal em nosso país, tanto financeiro como na ostentação (visam apenas projeção e identificação); e os artistas não são semideuses, mas sim "eleitos momentâneos". Seu destino a longo prazo, em 90% dos casos, é o anonimato.
Atualmente, após anos de observação e leitura específica, ficou fácil perceber, nitidamente, cada passo dado em algum programa televisivo e o motivo pelo qual ele foi colocado ali. Nem se preocupam em disfarçar mais. E vocês não tenham dúvidas: é tudo preparado sim, principalmente para o seu consumo!
Outros canais da mídia menos potentes, mas também atuantes, caminham junto, como um comboio, amplificando esse efeito da rede Globo e ampliando ainda mais a fogueira de consumo. "O Quarto Poder" deveria ser chamado "O Primeiro", pois atua no inconsciente de toda uma nação. Levanta e derruba instituições. Enaltece ou confina à clandestinidade quem ela desejar.
O volume financeiro que esse grande império catalisa é incalculável. O volume social idem: milhões de pessoas assistem a algo na TV e, no dia seguinte, saem para viver a fantasia do que assistiram. Aderem à moda, ao vocabulário, à identificação, projetam os personagens e, principalmente, COMPRAM.
Para finalizar assista este vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=FMIoEN9eY0g
(copie e cole no seu navegador este link do youtube caso o link não te direcione!)
Refletindo Sobre o Video: Alguns autores dizem que a mídia seria hoje um quarto poder. Discuta essa idéia, mostrando o poder atual da mídia e também os seus limites tomando com base o conteúdo do vídeo.
Pensando sobre o Texto:
1) Elabore um comentário explicando com suas palavras por que a leitura e interpretação de textos no Brasil é tão caótica.
2) "A mídia nos influência o tempo todo. Ela tem seus objetivos. Nós, apesar de parecermos incapazes, podemos combater, ou ao menos, mnimizar este fato".
Debata esta idéia, Justificando os 2 pontos de vista expressos na questão.




