sábado, 17 de abril de 2010

Evolução da Geografia - Por "Novos Caminhos" (Adapt: Wesentini)

     O espaço mundial de hoje é descontínuo, limitado pela economia ou pela política (aliás inseparáveis), móvel e difícil de ser cartografado ou captado por meras descrições. Além disso, ele — o espaço construído, social, fruto da humanização da natureza, locus de lutas e conflitos — não é mais um elemento inerte, a ser tão somente apropriado pelo homem pela expansão econômica ou a ser visitado pelos turistas, e sim algo necessário ao movimento do capital e/ou ao controle social: é o espaço produzido, planejado, transformado em mercadoria e constantemente reconstruído. 

     E a geografia moderna, tanto a acadêmica (de pesquisa) como a dos professores, não consegue mais explicar satisfatoriamente esse espaço, e isso nem mesmo como inculcação ideológica para os alunos de nível elementar e médio. Daí a "crise" dessa geografia – isto é, a crise da geografia tradicional –, e as alternativas que surgem há alguns anos (ou décadas, conforme o caso) e que a substituem. Não se trata de "modas", como querem alguns que se recusam a ler obras novas e a tentar renovar suas lições, e sim de uma necessidade real, de ou procurar acompanhar as metamorfoses do mundo ou correr o risco de findar. Ou, nas palavras do geógrafo italiano Massimo Quaini:

Estudantes não tiveram, como na Estatal de Milão, a possibilidade de motivar e, sobretudo, de fazer valer sua contestação, demonstraram de modo ainda mais decisivo terem as idéias claras: usufruindo de uma parcial liberdade curricular, desertaram em massa dos cursos de geografia".  
Quaini, Marxismo e geografia (Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979), p.12.

Nas conclusões de um outro autor, temos que:
 

“Pode-se dizer que a crise da geografia escolar resume-se essencialmente à crise de sua finalidade. Ensinamento de função ideológica, ela vê sua eficácia contestada por discursos mais "modernos" (economia, sociologia, etc). Marginalizada no momento de adaptação da escola às necessidades profissionais, a geografia está minada pela sua aparente incapacidade de dar conta das lutas de que o espaço está pleno.” 
Jean-Michel Brabant, "Crise de la géographie", em Hérodote, n. 2 (Paris, F. Maspero, 1976), p. 102.

     E quais as alternativas, ou novas "geografias", que se constroem e substituem a moderna e que oferecem opções ao professor do ensino básico? Deixando de lado aqueles que fingem ignorar a "crise da geografia" e continuam a praticar o mesmo discurso de Vidal de La Blache ou Aroldo de Azevedo, e que só conseguem provocar aquele tipo de reação descrita por Quaini, podemos perceber que existem três caminhos principais que são trilhados pelos que renovam essa formação discursiva:
a) a especialização num ramo (ex.: climatologia, geomorfologia, etc), que acaba por tornar-se completamente autônomo;
b) a geografia utilitária ou de planejamentos (seja a new geography, aquela voltada para o aménagement du territoire ou qualquer outra forma de geografia tecnocrática); e 
c) a geografia crítica ou radical. 

O primeiro caminho, como é evidente, não é satisfatório para o professor, mas apenas para o especialista que vai trabalhar nesse ramo que se torna um compartimento sem ligações com a totalidade estudada pela geografia (a sociedade em sua espacialização e a segunda natureza). Além disso, ele acaba conduzindo ao fim da geografia e não à sua reconstrução em outras bases. 

O segundo caminho também não foi construído para a escola, e sim para grandes empresas (públicas ou particulares), para os planos de reordenação espacial visando a reprodução do capital. Trata-se aí de uma geografia servil ao poder e que no ensino só vai resultar em coisas como o texto sobre geografia agrária do Projeto Brasileiro para o Ensino da Geografia, onde se pede ao educando para que ele se coloque como o proprietário de uma fazenda e raciocine em termos de custos (mão-de-obra, insumos, etc.) para aferir a produtividade de sua terra. Mas, enfim, para quem concebe a realidade social sob a ótica da harmonia, do princípio lógico da identidade, essa pode ser a geografia adequada para a "comunidade" onde leciona. 

E, finalmente, o terceiro caminho parece-nos o mais profícuo, tanto para a crítica à geografia moderna e sua reconstrução como para a renovação do ensino da geografia. Trata-se de uma geografia que concebe o espaço geográfico como espaço social, construído, pleno de lutas e conflitos sociais. Ele critica a geografia moderna no sentido dialético do termo crítica: superação com compreensão do papel histórico daquilo que é criticado.

Aprendendo a Pensar - Stephen Kanitz


“Aprendi nas aulas poucas coisas que uso até hoje. Teriam sido mais úteis aulas de culinária, nutrição e primeiros socorros do que latim, trigonometria e teoria dos conjuntos"

 
      A maioria das aulas que tive foi expositiva. Um professor, normalmente mal pago e por isso mal-humorado, falava horas a fio, andando para lá e para cá. Parecia mais preocupado em lembrar a ordem exata de suas idéias do que em observar se estávamos entendendo o assunto ou não. 

     Ensinavam as capitais do mundo, o nome dos ossos, dos elementos químicos, como calcular o ângulo de um triângulo e muitas outras informações que nunca usei na vida. Nossa obrigação era anotar o que o professor dizia e na prova final tínhamos de repetir o que havia sido dito.

     A prova final de uma escola brasileira perguntava recentemente se o país ao norte do Uzbequistão era o Cazaquistão ou o Tadjiquistão. Perguntava também o número de prótons do ferro. E ai de quem não soubesse todos os afluentes do Amazonas. Aprendi poucas coisas que uso até hoje. Teriam sido mais úteis aulas de culinária, nutrição e primeiros socorros do que latim, trigonometria e teoria dos conjuntos.

     Curiosamente não ensinamos nossos jovens a pensar. Gastamos horas e horas ensinando como os outros pensam ou como os outros solucionaram os problemas de sua época, mas não ensinamos nossos filhos a resolver os próprios problemas. 

     Ensinamos como Keynes, Kaldor e Kalecki, economistas já falecidos, acharam soluções para um mundo sem computador nem internet. De tanto ensinar como os outros pensavam, quando aparece um problema novo no Brasil buscamos respostas antigas criadas no exterior. Nossos economistas implantaram no Brasil uma teoria americana de "inflation targeting", como se os americanos fossem os grandes especialistas em inflação, e não nós, com os quarenta anos de experiência que temos. Deu no que está aí. 

     De tanto estudar o que intelectuais estrangeiros pensam, não aprendemos a pensar. Pior, não acreditamos nos poucos brasileiros que pensam e pesquisam a realidade brasileira nem os ouvimos. Especialmente se eles ainda estiverem vivos. É sandice acreditar que intelectuais já mortos, que pensaram e resolveram os problemas de sua época, solucionarão problemas de hoje, que nem sequer imaginaram. Raramente ensinamos os nossos filhos a resolver problemas, a não ser algumas questões de matemática, que normalmente devem ser respondidas exatamente da forma e na seqüência que o professor quer.

     Matemática, estatística, exposição de idéias e português obviamente são conhecimentos necessários, mas eu classificaria essas matérias como ferramentas para a solução de problemas, ferramentas que ajudam a pensar. Ou seja, elas são um meio, e não o objetivo do ensino. Considerar que o aluno está formado, simplesmente por ele ter sido capaz de repetir os feitos intelectuais das velhas gerações, é fugir da realidade.

     Num mundo em que se fala de "mudanças constantes", em que "nada será o mesmo", em que o volume de informações "dobra a cada dezoito meses", fica óbvio que ensinar fatos e teorias do passado se torna inútil e até contraproducente. No dia em que os alunos se formarem, mais de dois terços do que aprenderam estarão obsoletos. Sempre teremos problemas novos pela frente. Como iremos enfrentá-los depois de formados? Isso ninguém ensina. Existem dezenas de cursos revolucionários que ensinam a pensar, mas que poucas escolas estão utilizando. São cursos que analisam problemas, incentivam a observação de dados originais e a discussão de alternativas, mas são poucas as escolas ou os professores no Brasil treinados nesse método do estudo de caso. 

Talvez por isso o Brasil não resolva seus inúmeros problemas. Talvez por isso estejamos acumulando problema após problema sem conseguir achar uma solução. Na próxima vez em que seu professor começar a andar de um lado para o outro, pense no que você está perdendo. Poderia estar aprendendo a pensar. 
Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)

segunda-feira, 1 de março de 2010

01 de Março - Aniversário da cidade do Rio de Janeiro

Um lembrete de aniversário da cidade mais linda do Brasil! é cheia de problemas, mas ainda sim, é a mais charmosa!
Parabéns a nós cariocas!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Dia do Amigo - Márcio Bezerra

Neste dia tão importante, não poderia deixar de registrar aqui meu desejo de muita prosperidade e expressar minha gratidão por ter um número tão grande amigos que consegui obter durante estes cansativos e tão longos anos.

Vitórias e Derrotas. Percalços, obstáculos, alegrias, tristezas, conversa boa, conversa difícil, consolação, apoio... enfim, cada momento da nossa existência é e será sempre permeado por essas pessoas que Deus pôs no nosso caminho para poder chamá-los de irmãos do coração!!!

Sucesso e Força Sempre, pra todos vcs meus amigos!!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Feira Cultural CE5J – Por Márcio Bezerra.

A feira cultural do Centro educacional 5 de julho foi realizado dia 20 de Junho de 2008, com início as 9 h da manhã.

A banda do Colégio Dom Otom participou da cerimônia de abertura, exibindo todo o seu talento na execução dos temas musicais inerentes a cerimônia.

O tema central deste evento foi: VALORES. A idéia era conduzir os alunos a resgatar elementos necessários e fundamentais para a convivência harmoniosa em uma sociedade. Atualmente, existe certa desconfiança na degradação (ou, na visão dos pessimistas, a destruição!) desses princípios que caracterizam o convívio pleno com o “diferente”; elemento visível e concreto que mantém a sociedade num eterno conflito, mas que é alicerce pra inovar e promover a interação entre os seus membros.

Princípios como: compaixão, respeito, coragem, amor, misericórdia, polidez, companheirismo, cooperação, atitude, superação, ética, entre outros, foram os sub-temas tratados.

Um dos destaques foi a apresentação do corpo de bombeiros, (um grupamento cujo sinônimo é coragem) com uma palestra sobre dicas pra evitar acidentes em casa.

Quem quiser ver o vídeos de demonstração, estão aí os links:

http://br.youtube.com/watch?v=aGBZdhaXTmM
http://br.youtube.com/watch?v=woctwufhChA

Misericórdia

O tema tratado por nosso grupo foi à misericórdia, entendido como atitude daquele que tem preocupação pela situação em que vive o seu próximo. Os alunos de parte da 101 MA se esforçaram em produzir um trabalho que atendeu as expectativas do evento.

O painel também foi alvo de elogios inclusive pela coordenação do evento.

Basicamente, devemos conceder menções honrosas a praticamente todos os trabalhos, uma vez que houve empenho e dedicação de todas as turmas da escola em apresentar, sobre os mais diversos meios, a importância desses valores para a existência de uma sociedade plural, democrática e participativa. Anseio que todos nós buscamos para um mundo ser realmente bom pra todos.

Aos alunos, funcionários, inspetores, professores e coordenação da escola e principalmente do evento – Professoras Suzana C. e Andréia Q. – Parabéns pelos excelentes resultados alcançados.

Mais uma vez, mesmo com pecados na estrutura geral, esta feira foi um sucesso!

OBS: aqui a "coleção de brindes e folders" relativos a execução da feira cultural que juntei durante o evento. Até pulseira do rubro-negro carioca (flamengo) se juntou nessa festa!

sábado, 28 de junho de 2008

A Farra da Legalização da Grilagem - Por Ariovaldo Umbelino

Por Ariovaldo Umbelino – 07/04/2008

A grilagem das terras públicas na Amazônia continua nos noticiários. Agora, trata-se da Medida Provisória 422, que dispensa de licitação a venda de terras públicas do INCRA até 1.500 hectares. E, por trás dela, está a estratégia de ação do agrobanditismo em sua sanha de se apropriar das terras públicas griladas daquela região.

Em outro artigo neste site, mostrei que a grilagem das terras públicas da Amazônia sempre veio alimentada pelas políticas públicas dos diferentes governos nos últimos cinqüenta anos. Mas, como a legislação constitucional impede que isso se faça, o caminho passou a ser tentar conseguir através de subterfúgios jurídicos sua legalização. Como a Constituição de 1988 manda compatibilizar a destinação das terras públicas com o plano nacional de reforma agrária, uma nova estratégia passou a ser montada para continuar favorecendo os grileiros do agronegócio.

Uma banda podre dos funcionários do INCRA, particularmente os que "cuidam" do cadastro, passaram a "oferecer" e "reservar" as terras públicas do INCRA para os grileiros e indicar o caminho "legal" para obtê-las. Portanto, quem está realizando esta "grilagem legalizada" é uma parte dos próprios funcionários corruptos do INCRA e dos órgãos estaduais de terra. A denúncia destes fatos já levou a Polícia Federal a fazer a Operação Faroeste no Pará e o Ministério Público Federal a mover ação para cancelar os "assentamentos da reforma agrária laranja" da regional do INCRA de Santarém-PA. O motivo é sempre o mesmo: a tentativa de "oficializar" a grilagem das terras públicas.

Em 2003, o INCRA possuía na Amazônia Legal mais de 60 milhões hectares, assim distribuídas pelos Estados:

Amazonas, 20,9 milhões de hectares;

Pará, 17,9 milhões;

Roraima, 9,2 milhões;

Acre, 6,2 milhões;

Mato Grosso, 5,7 milhões;

Rondônia, 4,9 milhões;

Maranhão, 1,7 milhões;

Tocantins, 1 milhão de hectares.

Entretanto, os grileiros do agrobanditismo "cercaram e se apropriaram privadamente" de tudo, pois os funcionários corruptos do INCRA "venderam" para eles ilegalmente todo este patrimônio público. Agora estão junto como o governo Lula, propondo "soluções jurídicas" para legalizar o crime cometido.

A história é a seguinte:

No final do ano de 2005, conseguiram através do artigo 118 da Lei nº. 11.196 de 21/11/2005 (a chamada "Medida Provisória do bem") alterar a lei de licitações públicas (Lei nº. 8.666, de 21/06/1993), conseguindo a permissão para regularizar, através da venda, aqueles que tinham grilado as terras públicas do INCRA na Amazônia Legal com área de até 500 hectares. Não custa lembrar que o artigo 191 da Constituição de 1988 autoriza a posse de apenas até 50 hectares, quando a terra é devoluta, porque as terras públicas não são passíveis de usucapião (artigo 200 do Decreto-Lei 9760 05/09/1946, § 3º do artigo 183 da Constituição de 1988).

Em 17/05/2006, o INCRA baixou a Instrução Normativa nº. 32, que fixou os procedimentos legais para que este crime da grilagem das terras públicas até 500 hectares pudesse começar a ser legalizado. Era o início da farra da legalização da grilagem.

Mas a banda podre dos funcionários do INCRA não se deu por satisfeita, e, afrontando a Constituição, que manda destinar as terras públicas para a reforma agrária, baixou a Instrução Normativa nº. 41, em 11 de junho de 2007 (publicada no DOU em 18/06/2007), estabelecendo "critérios e procedimentos administrativos referentes à alienação de terras públicas em áreas acima de 500 hectares limitadas a 15 (quinze) módulos fiscais mediante concorrência pública".

E a sordidez destes dilapidadores do patrimônio público não tem limite. Primeiro, com auxílio do agrobanditismo paraense, conseguiram que o deputado Asdrúbal Bentes (PMDB) apresentasse em 24/10/2007 um projeto de lei que ampliava para até 15 módulos fiscais (mais ou menos 1.500 hectares) a dispensa de licitação e conseqüente autorização para venda aos grileiros das terras do INCRA.

Agora, a desfaçatez do governo do PT parece que não tem mais limite. Lula e Cassel, descaradamente, em nome da reivindicação da base aliada, transformaram (plagiaram) o projeto de lei do deputado Asdrúbal Bentes na Medida Provisória nº. 422. Assim, esta MP que já está em vigor, altera novamente a Lei nº. 8.666, permitindo a dispensa de licitação para alienar os imóveis públicos da União até 15 módulos fiscais.

Isto quer dizer que, como 39% da área dos municípios da Amazônia Legal têm módulos fiscais de 100 hectares, esta dispensa de licitação atingirá áreas griladas até 1.500 hectares. Estes municípios estão principalmente nos estados do Amazonas, Acre, Roraima, Mato Grosso e Pará, todos repletos de exemplos da grilagem de terras do INCRA. Noutros 38% da área dos municípios que têm módulos entre 75 e 90 hectares, a dispensa de licitação atingirá áreas griladas entre 1.125 e 1.350 hectares dos estados anteriores e do Tocantins e Maranhão. Ou seja, as terras griladas que serão regularizadas têm área acima de mil hectares e é o próprio INCRA que reconhece o crime lesa pátria: "assim, entre 70 e 80% das posses de até 15 módulos fiscais estará em torno de 1000 ha, ou menos", em "A MP 422 legaliza e protege a floresta" (http://www.incra.gov.br).

A audácia do diretor de Ordenamento da Estrutura Fundiária do INCRA, Roberto Kiel, é de uma adesão total ao agrobanditismo: "agora eles poderão comprar do governo federal as terras que já ocupavam há anos e não vão precisar concorrer com outros interessados", em "Assinada MP para regularização fundiária da Amazônia" (http://www.incra.gov.br).

Outra parte desta engenhosa operação para legalização da grilagem de terras do INCRA na Amazônia Legal foi o aproveitamento do aumento do desmatamento naquela região para fazer o recadastramento dos imóveis. Ele vai permitir que os grileiros que ainda não tinham cadastrado as terras públicas que grilaram até dezembro de 2004 pudessem agora fazê-lo e assim se habilitarem para "comprar" as terras griladas sem licitação. Aliás, a notícia no site do INCRA sobre o recadastramento já, de forma absurda, reconhece os grileiros como posseiros: "Os donos ou posseiros de áreas maiores que quatro módulos fiscais [...] terão que levar ao Incra, de 3 de março a 2 de abril, documentos que comprovem a titularidade ou posse pacífica da terra, plantas e memoriais descritivos com a correta localização geográfica dos imóveis rurais" (http://www.incra.gov.br).

Dessa forma, é preciso deixar claro que as verdadeiras posses das famílias camponesas ribeirinhas ou não na Amazônia não ocupam mais de 100 hectares; portanto, estes atos do INCRA são para regularizarem as grilagens das terras públicas do próprio INCRA, que seus funcionários corruptos "venderam" para ao agrobanditismo.

Vale lembrar que apenas duas vezes na história do Brasil a grande posse foi legalizada, na Lei de Terra de 1850 e na ditadura militar entre 1964/1984.

Por isso volto a repetir, a MP 422 é uma afronta aos princípios constitucionais e ao patrimônio público: o governo Lula está fazendo o que nenhum governo, depois dos militares, fez, "vendendo" ao agronegócio/banditismo mais de 60 milhões de hectares de terras públicas do INCRA na Amazônia que deveriam ser reservadas à REFORMA AGRÁRIA, à demarcação de terras indígenas e/ou quilombolas e à criação de unidades de conservação ambiental.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O Valor da Misericórdia - Por Anieh Grancihurt

Seria talvez uma virtude dependendo de como é empregada. Misericórdia notoriamente não vem só de divindades, pois está ecliticamente ligado a outras possíveis virtudes.

A Misericórdia está diretamente associada com o termo cooperar. Antes de ter misericórdia é de suma destreza apresentar respeito ao próximo. Como tudo que se apresenta a misericórdia é possuidora de duas faces: a correta e a errada, como o bem e o mal.

De certo modo é a hipocrisia de ter piedade e diminuir o ser humano a nada. O que deve importar é a essência que permanecerá por todo o sempre!

Se errar, não julgue, pois estará faltando com o respeito por si.

Estender a mão, um exemplo clássico de correta misericórdia. Este sim seria o momento exato. Sem virtudes não há vida, há sobrevida.

Misericórdia resume-se talvez em valorizar o ser humano acima de qualquer coisa. As virtudes nos completam e se podemos ser completos, o porquê de sermos ocas e vazias.

Virtudes não são apenas palavras. Não devem parecer. Pois palavras como estas são apenas palavras quando não acompanhadas de ação.

O verdadeiro sábio preocupa-se primordialmente em enriquecer o espírito e posteriormente a matéria, porém, apenas é suficiente.

Misericórdia deve impregnada à alma, por si ou não. Sonhos existem para realizar um ser..

O mundo clama por pessoas virtuosas, se queres perfeição, aperfeiçoe-se.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Cemitério na Cidade do RJ - A Construção do Território do Sagrado


Sabe-se que no Brasil os sepultamentos durante o período colonial e parte do Império eram realizados ad Sanctus, ou seja, nas igrejas; a idéia da “boa morte” ainda estava vinculada ao momento da morte da pessoa e o seu local de enterramento.

Neste sentido, dentro de uma mentalidade ainda marcada pela época medieval, estar enterrado em uma igreja era estar perto de Deus, o que significava maior possibilidade de uma vida feliz no além. Assim, as igrejas no Brasil recebiam os corpos de seus fiéis desde que tivessem sido, na vida secular, pessoas de certa posição social e que os seus pudessem arcar com as despesas do sepultamento. Desta feita, quanto mais alta a posição social do defunto, maior sua proximidade com o templo, quando não do próprio altar.

Como disse Cruls:

“até então para os mortos de categoria havia sempre uma catacumba no claustro dos conventos ou uma campa no chão dos templos.”

Tudo era organizado para que este momento da morte transcorresse dentro da mais perfeita ordem, a hora da morte era administrada pelo moribundo de forma calma e serena. Os cuidados já haviam sido tomados quanto à distribuição dos bens, pois, através de testamentos, os cuidados eram providenciados a fim de que a vontade do defunto fosse respeitada. O modo do funeral, a mortalha com a qual deveria ser enterrado, o local e a igreja, tudo já havia sido atestado antes e só restava aos seus o cumprimento das ordens.

A vida rude na Colônia, tanto de colonos como de escravos, estava entregue nas mãos do serviço, praticamente voluntário, do hospital da Santa Casa da Misericórdia, que havia sido fundada em 24 Março de 1582, no Rio de Janeiro, pelo padre José de Anchieta.

Ao lado do hospital, em terreno contíguo, foi erguido um cemitério para o sepultamento das pessoas que lá morriam, os injustiçados e escravos; o de Santo Antônio, que estava sob os cuidados dos Franciscanos, onde é hoje o Largo da Carioca, e que também sepultava escravos; “o dos pretos novos, no antigo Largo de Santa Rita, onde até 1825 houve um cruzeiro”; e o dos mulatos, que se situava no Campo do Rocio e depois Largo de São Domingos, já “desaparecido”. A estes dois últimos, Cruls chamou de “mais ou menos clandestinos”, uma vez que os seus corpos eram deixados “à flor da terra”.

O cemitério da Santa Casa chamou a atenção do reverendo Walsh, que visitou o Brasil em 1828, pela forma descuidada com que ali se praticavam os sepultamentos:

“O enterro é muito simples; faz-se uma cova profunda onde os corpos são colocados. Antes de serem enterrados aí, são depositados sobre um estrado numa casinha que fica no meio do cemitério, até que haja um número suficiente de corpos. Então é realizada a cerimônia fúnebre para todos eles, que são colocados nas covas sem caixões. Algumas vezes nus, mas normalmente envoltos em lona. São colocados de lado, geralmente com a cabeça virada para os pés do outro. Nunca estive neste lugar sem que houvesse quatro ou cinco corpos esperando para serem enterrados e ao sair sempre me encontrava com outros chegando.

Até então, nenhum destes cemitérios citados até aqui conhecia práticas de sepultamento organizadas em bases regulares. Em todos eles, o descuido com o sepultamento era uma marca permanente da maneira com a qual eram administrados. Só em 1839, por causada forma precária com que funcionava o da Santa Casa, foi aberto um cemitério na Praia de São Cristóvão, que também ficou a cargo da Santa Casa e era conhecido como Cemitério do Caju (mais tarde renomeado como Cemitério de São Francisco Xavier).

No caso de o morto ser um protestante europeu, o seu destino era o Cemitério dos Ingleses, com sua localização na Gamboa. Tal cemitério havia sido criado em função do “Tratado de Amizade”, datado de 1810, entre Portugal e Inglaterra. J. J. Reis ressalta que “o Cemitério dos Ingleses no Rio de Janeiro estava adaptado à concepção de uma necrópole longe da cidade”. O cemitério dos ingleses não se parecia em nada com o cemitério da Santa Casa. Era limpo, arborizado e à beira da Praia da Gamboa que, naquele tempo, margeava o campo santo.

É por isto que Maria Graham, que visitou o cemitério em 1832, observou admirada o referido campo santo:

Julgo um dos lugares mais deliciosos que jamais contemplei, dominando lindo panorama, em todas as direções. Inclina-se gradualmente para a estrada ao longo da praia, no ponto mais alto de um belo edifício... em frente a este edifício ficam varias pedras e urnas e os vãos monumentos que nós erguemos para relevar a nossa própria tristeza; entre estes e as estradas algumas árvores magníficas.

Com efeito, o contraste entre ambos era notório. Cemitérios católicos eram completamente diferentes dos cemitérios protestantes: a representação do lugar funerário para os protestantes consistia em uma visão mais serena, amenizada pela presença de árvores que, em certo sentido, conferiam ao local uma sensação de paz, a ponto de Graham afirmar que, “(...) se viesse a ser sepultada ali, os que viessem visitá-la não se sentiriam incomodados”.

Entretanto, os cemitérios católicos apresentavam um ambiente tumultuado, no qual corpos insepultos se misturavam à terra deixando uma sensação de desespero e desorganização. Por outro lado, os corpos sepultados pelos católicos ad Sanctus estavam, de certa forma, sempre junto aos vivos, que vez por outra rezavam por eles uma missa em sua memória.

Os protestantes, uma vez que não praticavam sepultamentos em igrejas, tinham o espaço distribuído mais uniformemente, sem “distinções” aparentes entre os defuntos. Já no catolicismo, a variedade de espaços funerários oferecidos pressupunha a própria diferenciação entre mortos. Uns sepultados sob a nave, estes nos adros, aqueles em conventos e uma grande maioria em cemitérios que deixavam os corpos à flor da terra.

Segundo Cláudia Rodrigues, houve um empobrecimento e um esvaziamento dos cortejos fúnebres a partir dos surtos epidêmicos e da conseqüente proibição dos enterros nas igrejas e cemitérios paroquiais (a partir de 1850 na cidade do RJ). Mostra ela ainda, a partir da análise do uso da roupa fúnebre, que ocorreu no mesmo período um declínio vertiginoso dos enterros com mortaIhas de santos. Um sinal, aliás, de que teria havido transformações importantes na devoção. Visto pelo ângulo dos funerais, os santos certamente perderam o prestígio como protetores dos viajantes para o Além.

O cemitério São João Batista – 1860-1870

Esta foto de Leuzinger, premiada na Exposição de Paris, foi tirada de uma chácara onde Darwin teria se hospedado e observado borboletas. Encontramos ai belas esculturas e obras de arte, encomendadas no passado a escultores famosos.

Aí se encontram os restos mortais de pessoas como Santos Dumont, Carmem Miranda, Afonso Penna, Luís Carlos Prestes, Clara Nunes, Ary Barroso, Cazuza, Tom Jobim e outros tantos políticos famosos, além é claro de muitos de nossos antepassados queridos.

O Cemitério São João Batista é de 1852, quando substituiu o de Pedro II, que existia junto ao hospício da praia, freqüentemente invadido pelas águas. A rua que passa à sua frente é o velho Caminho do Berquó (General Polidoro).

Nesta última foto, vemos o cemitério de Campo Grande - situado na avenida Cesário de Melo. Apesar de reformado, ainda apresenta os traços mais marcantes da mercantilização da morte e da apropriação destes espaços sagrados pela Santa Casa da Misericórdia. Apesar de importante, Ainda sim, é um tema pouco estudado pela geografia.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Cidadania e Universalidade - Por Roberto da Mata

A idéia de cidadania, criada na Europa ocidental a partir do século XVIII, abriu o caminho para a possibilidade de liquidar os privilégios, leis que atribuíam direitos especiais à nobreza e clero. O conceito de cidadania foi um poderoso instrumento para estabelecer a igualdade universal como um modo de contrabalançar e até mesmo acabar com a teia de privilégios que se cristalizam em diferenciações e hierarquias locais. Se a economia de mercado ocasionou uma grande transformação ao libertar os servos da terra e as propriedades dos senhores feudais, a idéia de cidadania complementou essa evolução, estabelecendo o indivíduo como elemento central e determinante do sistema central (...)

A cidadania foi uma construção histórica não sendo, portanto algo natural. Nem todas as sociedades desenvolvem a cidadania. As que os fazem são aquelas em que há um individualismo, onde o indivíduo, igual ao cidadão, é mais valorizado que outras categorias sociais (como a família ou a comunidade). Isso significa que são os indivíduos que permitem a formação da autoridade pública pela representação consentida e livre de seus interesses. A sociedade passa a ser vista como um clube ou associação de cidadãos com múltiplos interesses. E todos iguais perante a lei e a sociedade.

Nas sociedades tradicionais, como é o caso do Brasil, o indivíduo é menos importante que as relações pessoais: a família, as amizades, o cargo que ocupa. Nos EUA ou na Europa, o indivíduo isolado conta com uma unidade positiva do ponto de vista moral e político; mas aqui no Brasil, o indivíduo isolado e sem relações, é algo considerado como altamente negativo, revelando apenas a solidão de alguém que, sem ter vínculos, é um ser humano marginal em relação aos outros membros da comunidade. O que conta no Brasil não é o cidadão ou o indivíduo e sim a pessoa, o conjunto de relações pessoais que alguém possui na comunidade, é o “jeitinho Brasileiro”, (...)

Em outras palavras, enquanto o processo histórico do Brasil foi no sentido de que tudo já estava previsto e dominado pelo centralismo político, tendo o indivíduo que tentar abrir caminhos nessa estrutura, no processo histórico norte americano, ocorreu o inverso, sendo o espírito individualista que criou as leis e o sistema político.

Com efeito, a palavra cidadão é sempre usada com sentido negativo no Brasil, para marcar a posição de alguém em desvantagem ou mesmo em inferioridade. Quando se diz: “O automóvel pertence aquele cidadão”; ou “o cidadão terá que esperar um pouco” sabe-se que o tratamento universalizante é impessoal é usado não para resolver um problema, como nos países onde a cidadania é valorizada, e sim para dificultar a resolução desse problema. É sintomático o uso da expressão bem brasileira: “Você sabe com quem esta falando?”, que aponta para uma desvalorização do indivíduo e do cidadão, onde todos são iguais, com uma valorização da pessoa, das relações (“sou parente de fulano de tal”, “amigo de sicrano”, etc.). De fato, dizer que é cidadão brasileiro numa situação de conflito com a polícia, pode significar a prisão e até mesmo algumas pancadas.

Assim, antes de irem a qualquer pública, a norma e a “sabedoria” indicam que se deve primeiro descobrir as suas relações naquela área. Daí decorrer a dificuldade da crítica sistemática e consciente a qualquer instituição pelos serviços que ela deveria prestar, esbarra-se sempre nos nexos e laços pessoais. Assim, se a companhia telefônica foi péssima para você, ela foi excelente para mim porque “tenho conhecidos e parentes lá dentro”; ou, como se diz atualmente, “eu tenho prestígio na companhia”. Isso torna a critica social aberta não só algo complicado, mas também suspeito. Porque quem critica é um “criador de caso”, ou um “invejoso”. Vale dizer: é porque a pessoa não tem amigos e foi aquela agência pelo pior caminho do Brasil, o da universalidade, o da cidadania.

(adap de: Da MATA, Roberto. A casa e a rua. SP, Brasiliense, 1985. P. 55-73)

domingo, 11 de maio de 2008

O Desafio Populacional - por P. Kennedy

O crescimento demográfico mundial é pesquisado por centenas de estudiosos em todo o mundo. O aumento da população humana em todo o globo causa inquietações e cria perspectivas. Leia atentamente o texto a seguir que aborda quais seriam alguns destes problemas.

O problema do crescimento populacional hoje não consiste só no fato de que a cada ano existe um acréscimo aproximado de 80 milhões de indivíduos no planeta que consomem recursos. O fato básico é que povos diferentes produzem padrões diferentes – alguns crescendo depressa, outros estagnados ou crescendo muito pouco e outros ainda em declínio absoluto. Entre os Anos 1993 à 2025, a previsão é que 95% de todo o crescimento mundial da população ocorrerá nos países periféricos, sendo que a taxa média de crescimento demográfico mundial de 1,7% nos Anos 1990 esconde desigualdades incríveis: Na África esse crescimento é de 3% ao ano e na Europa somente 0,4%.

Tendo em vista os desequilíbrios de tendências entre as sociedades ricas e pobres, parece improvável que não ocorram ondas de imigrações internacionais na aurora d século XXI. A Austrália, por exemplo, deve aumentar sua população hoje (1992) de 17,5 milhões para somente 22,7 milhões no ano de 2025, ao passo que a vizinha Indonésia, com 190 milhões hoje (1992), deve pular para 265 milhões em 2025; Os Estados europeus meridionais – Espanha, Portugal, Grécia, França e Itália – cujas populações combinadas devem aumentar menos de 5 milhões até o ano de 2025, estão próximos dos países norte-africanos – Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito – cujas populações devem ser acrescidas de mais de 105 milhões nesse mesmo período; e os EUA, com uma previsão de crescimento populacional de 25% de 1990 a 2025, tem como vizinho ao sul México e Guatemala, que devem crescer nesse período 90% e 225%, respectivamente.

Embora seja claro que os países centrais façam hoje grandes esforços para restringir a imigração, os migrantes desesperados provavelmente não se deixarão desanimar. Nem a lei de imigração e naturalização dos EUA de 1986, e nem as mais freqüentes patrulhas ao longo da fronteira com o México acabaram com o fluxo de imigrantes para o norte, Para os EUA, que voltou a passar de um milhão a cada ano. O momento, nada menos que 15 milhões de homens, mulheres e crianças estão vivendo em campos de refugiados, na Europa Oriental e no sudoeste, sul e sudeste da Ásia, esperando um lugar para onde ir. Embora eles possam encontrar obstáculos, muitos conseguem ultrapassar as fronteiras. São com freqüência ajudados e abrigados por parentes que já fizeram a travessia. E cada vez mais são estimulados pelos meios de comunicação, o que significa que agora as pessoas, mesmo sendo muito pobres, sabe como se vive em outras partes do mundo, e tentam ir para áreas mais prósperas, seja por terra, pelo mar ou pelo ar.

Portanto, apesar de muitos esforços, o controle da imigração nos países centrais provavelmente não terá êxito, diante das acentuadas discrepâncias nos equilíbrios demográficos mundiais. Talvez, a mais convincente de todas as estatísticas seja a que mostra que, enquanto as nações industrializadas ricas representavam um quinto da população da Terra em 1950, essa parcela caiu para um sexto em 1985 e há previsões que vai se encolher ainda mais, para apenas um décimo no ano de 2025.

Neste período, apenas duas sociedades desenvolvidas – EUA e Japão – estarão entre os países mais populosos, e as demais serão consideradas “países pequenos”. Esse fato coloca dois cenários possíveis, e ambos preocupam os países ricos. O primeiro seria a hipótese de os países pobres cresceram economicamente mais que os ricos (hipótese muito difícil e aplicável somente a pouquíssimas nações do mundo), neste caso, haveria uma redefinição do poder global, ou seja, influência política, cultural, econômica e até cultural de umas nações sobre as outras, resultando na diminuição do poderio dos países desenvolvidos. E o segundo cenário seria de os países pobres continuarem presos a armadilha da pobreza, com as desigualdades econômicas continuando a se ampliar, nesse caso, os países desenvolvidos ficariam sitiados por dezenas de milhões de migrantes e refugiados, pobres em sua maioria, ansiosos por viver entre as populações prósperas e cada vez mais envelhecidas dos países do norte.

KENNEDY, Paul; In: Preparando para o século XXI. Rio de Janeiro. Ed. Campos. 1993. P.33-41